“Lao Tsé escreveu apenas um tratado, extremamente conciso, o Tao Te King; os demais textos taoístas são ou comentários deste livro fundamental ou redações mais ou menos tardias de alguns ensinamentos complementares que, de início, foram puramente orais.
"O Tao, que se traduz literalmente por Via, é o Princípio Supremo, considerado desde o ponto de vista estritamente metafísico: é ao mesmo tempo origem e fim de todos os seres, como indica claramente o ideograma que o representa. O Te é o que se poderia chamar uma especificação do Tao em relação a um ser determinado, como o ser humano: é a direção que este ser deve seguir para que sua existência, no estado em que se encontra presente, seja de acordo com a Via, em outras palavras, em conformidade com o Princípio."
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René Guénon, "Taoísmo e Confucionismo"
René Guénon
define metafísica como "o conhecimento dos princípios de ordem universal, dos
quais todas as coisas necessariamente dependem, direta ou indiretamente". De
fato, é possível constatar similaridades notáveis entre os escritos de místicos
cristãos (Mestre Eckhart, Dionísio Areopagita, os Padres da Filocália etc.), os
muçulmanos (Rumi, Ibn 'Arabi, Attar etc.) os judaicos (Shimon ben Yochai,
Abuláfia, Luria etc.) e os taoístas (Lao Tsé, Lie Tsé, Huang Tsé etc.).
Ora, se os princípios presentes no Tao Te King encontram conformidade com os de
tradições com as quais estamos mais familiarizados (judaica, cristã, islâmica
etc.), apresentar estas relações pode ser de enorme ajuda ao leitor ocidental. É
justamente o que o estudo introdutório desta tradução faz, facilitando a
compreensão da obra de Lao Tsé e dando testemunho de seu caráter universal.